Entrevista/André Salcedo
CD da FAPES em tempos de desafio

Novo conselheiro da Fundação prega diálogo, postura construtiva e responsabilidade para superar tarefas que vêm pela frente
 
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André Salcedo tomou posse dia 6 no Conselho Deliberativo da FAPES
 
 
André Gustavo Salcedo Teixeira Mendes – titular da chapa Governança e Transparência – venceu, no mês passado, a eleição para a vaga de participante ativo no Conselho Deliberativo da FAPES. A chapa também é composta por Rafael Costa Strauch (1º suplente) e Guilherme da Rocha Albuquerque (2º suplente). Já empossado no CD da Fundação, André concordou em dar a entrevista abaixo para o VÍNCULO.

VÍNCULO – Apenas 41,4% do total de participantes aptos a votar participaram das eleições para os Conselhos da FAPES. Observando-se que o tema Previdência tem tido muita atenção na mídia e a FAPES tem sido fruto de diversas discussões, você acredita que a participação foi abaixo do esperado?

André Salcedo – O número apresentado estava em linha com o que esperávamos. Nas eleições de 2013, a adesão foi de 39,8% sobre uma base menor de eleitores (4.722 em 2013 versus 4.878 nestas eleições). Em pleitos deste tipo, há estatísticas que indicam que uma adesão em torno de 20% é bastante comum.

V – A eleição para a vaga de ativos no Conselho Deliberativo teve resultado apertadíssimo, com a sua chapa – Governança e Transparência – vencendo por apenas seis votos de diferença. Como você viu tal resultado?

AS – O resultado reflete a qualidade das duas chapas, compostas por pessoas experientes e respeitadas no BNDES. Nestes casos, conforme vimos, a decisão se dá nos detalhes. A diferença fez com que cada um dos eleitores percebesse como cada voto faz a diferença e que a participação de todos é muito importante. Agradecemos a confiança de todos que votaram em nós.

V – No programa da sua chapa são elencados três importantes desafios para a próxima gestão do CD: (i) a elaboração de proposta para o equacionamento do déficit do Plano de Previdência; (ii) a sustentabilidade financeira do PBB e (iii) questões associadas à falta de transparência na gestão da Fundação. Quais são as suas propostas para enfrentar tais desafios?

AS – Respondendo: (i) observar as orientações legais na proposição do equacionamento; (ii) trabalhar em ajustes no PBB e na revisão das premissas atuariais para que estas reflitam de forma mais aderente a realidade do nosso Plano (a partir desse ano elas passam a ser reguladas pela IN nº 7 da PREVIC), bem como em ajustes para incentivar medidas que aumentem a eficiência na gestão dos ativos e passivos do Plano e o custo administrativo da FAPES; e (iii) retomar os fóruns periódicos nas dependências do BNDES e contribuir numa nova formatação de comunicação mais objetiva com os participantes.

V – Sua chapa destacou a necessidade de fortalecer e ampliar os canais de comunicação entre os Conselhos, a Diretoria e os participantes. Como vocês pretendem atuar nesta questão?

AS – Inicialmente tentando mudar a postura de que conselheiros não devem se comunicar com os participantes. É dever do ofício de conselheiro e gestor da FAPES prestar contas – assim como em outras instituições –, observado o dever de sigilo que o cargo nos impõe. Quanto à Diretoria, entendo que a retomada dos encontros periódicos tenderá a melhorar esta comunicação.

VÍNCULO – O que pode ser feito para propiciar uma permanente troca de informações e experiência entre os conselheiros eleitos e os participantes após as eleições?

AS – O movimento tem que ser coordenado e partir dos dois lados. Além de retomar os encontros periódicos, os participantes têm que participar destes encontros. Lembro-me da frustrante participação numérica no debate das chapas promovido pela AFBNDES. Acho que não havia nem 30 pessoas na plateia.

V – Há antigos anseios dos participantes em relação a diversas questões, porém três são particularmente sensíveis na visão da AFBNDES: a falta de isonomia de tratamento provocada pela "nova metodologia da joia"; a dificuldade vivida pelos dependentes que deixam de contar com o FAMS; e a revisão dos custos dos financiamentos e empréstimos na Fundação. Como atacar esses problemas?

AS – Estas são nossas prioridades também, conforme destacado no nosso Programa. A forma de enfrentá-los é com diálogo e serenidade para construir as soluções que melhor atendam os participantes. Por sermos um colegiado, necessariamente as soluções passam pela priorização e aprofundamento dos debates sobre estes temas.

V – Está em funcionamento, desde o fim de 2014, o Fórum de Previdência, criado pela Área de Recursos Humanos do Banco. Como você sabe, a proposta dos empregados é a de uma "Mesa FAPES", com a presença de representantes de todos os interessados no Plano de Previdência, a fim de discutir a estrutura do Plano de Benefícios, seus riscos, viabilidades e possíveis adequações à atual conjuntura político-econômica. Seria o Fórum um possível caminho para a Mesa FAPES?

AS – Entendo que qualquer iniciativa que aproxime a FAPES dos participantes é positiva. Quanto ao formato somente o tempo irá dizer qual é o mais adequado.

V – Alguma mensagem para os participantes da Fundação?

AS – O Conselho Deliberativo da FAPES tem três novos integrantes. Além dos dois eleitos (eu, pelos ativos, e o Paulo Libergott, pelos assistidos), o BNDES indicou o Gabriel Visconti para compor o colegiado. Os novos integrantes, juntamente com Jorge Claudio, Selmo Aronovich e Gil Bernardo, têm um grande desafio pela frente. Conforme destacamos nas conversas que tivemos com os participantes durante a campanha, este ano é muito importante, os participantes têm que se organizar e se mobilizar em torno deste tema. Se não formos capazes de construir uma solução com diálogo, postura construtiva e responsável, alguém vai fazer isso por nós.

 

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